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Mostrando postagens de abril, 2018

ROUPAS SUJAS

por Cesar Costa Nossas roupas e nossas coisas não mais estão no chão, nem escorre o arco-íris de prazer em nossas mãos. Já não há mais você em mim, nem nada mais de mim em você. Já não sei se estou sozinho ou se apenas estou no chão, já não sei se estou em suas mãos. Nossas roupas sujas lavadas em público, nosso grito mudo, nossa insensatez e nossa falta de percepção. Fomos pouco sagazes e muito covardes. Fomos loucos demais e francos de menos. Nem mesmo fomos sinceros, ao menos. Dos erros nasceram quedas, das quedas nasceram medos, dos medos nasceram brigas, das brigas morreram flores, com as flores morreu o amor. Escorreram-se por entre os dedos os atinos e os desatinos geraram seus frutos. Fatigou-se o amor e o desamor fez em nós dois morada. Agora vamos sair com a derrota, mas com a roupa da alma lavada, a cara limpa e o bolso idem. Quiçá haja amizade entre os dois, e que o depois nos seja manso, já que nosso amasso se tornou frio. Descobriremos ...

NÁUFRAGO NA ILHA DA SOLIDÃO

por Cesar Costa Derivando de águas profundas, onde o mar elevou suas ondas  tão alto que parecia beijar as estrelas que no céu brilhavam  e iluminavam a noite.   Brancos grãos de areia da praia, qual límpido tapete sob os pés,  enaltecendo a vida salva do infortúnio da nau que no fundo do oceano agora habita.   Nas pedras,a espuma borbulhante festeja inconsciente de tragédia horas antes ocorrida.   Nas águas multicoloridas, libertas alçam voo, as gaivotas,  únicas companheiras neste mar errante. Perdido e náufrago nesta ilha da solidão,  com o vento a assanhar o cabelo,  com a brisa que insiste em molhar o corpo enquanto o socorro demora chegar Lembranças das tormentas,  onde de revolto o mar agora parece se acalmar,  satisfeito com as oferendas das vidas daqueles que se atreveram desafiar o mar sem esperar a segurança de ventos mais propícios. E se o medo me dominou,  assustado pelos fortes...

MORRER SÓ QUERO AMANHÃ

por Cesar Costa Hoje não, morrer só quero amanhã Sentida sensação, deixo na vida Se não curar a tão grave ferida  Nada vale, ter só emoção vã Terá cura da busca, no divã  Oriunda vivência dolorida Sofrimento é marco de partida Será da morte, toda dor irmã Tormento que ninguém enfim percebe Dissabor desta vida com desgosto Nesta caça, opção nunca fim concebe Razão não subsistir, querer composto Cuja água da vida não mais bebe Vontade de viver, tem um oposto

RAZÃO DO MEU SORRISO

por Cesar Costa Às vezes penso em você, sem medir ou pensar se você pensa em mim, sem tentar saber ou dizer coisas que não sei, apenas penso, apenas invisto meu abstrato pensamento e continuo meu movimento espiritual em direção a você. Minha mente voa, e neste vôo reencontro meu sorriso, caio na armadilha de amar e não estar ao seu lado agora. Na armadilha criada pelo meu coração. Quanto pensei em você na primeira vez, não sabia que seria a dona do meu sorriso, não sabia que seria meu caminho, não sabia que seria um vício sem cura, não sabia que me tornaria mais um adepto desta loucura. Talvez soubesse e tivesse medo de assumir que ia lhe amar, talvez soubesse e tentasse fingir não sonhar lhe reencontrar, talvez soubesse e não pudesse evitar cumprir meu destino. Agora que conheço a luz do seu brilho, fujo para uma sombra no abrigo, mas meu coração revela meu esconderijo, meus olhos buscam você e o seu brilho, minha mente me traz de volta ao meu destino. Mi...