por César Costa Quão cega estava a flecha, ao cruzar o ar e rasgar os nossos peitos, numa trajetória tão perfeita, cuja simetria enganou nossos olhos, e seguimos, escravizados, aos caprichos de um incoerente cupido. Percebemos, um ao outro, na admiração mútua dos sentimentos crescentes, compartilhando a harmonia dos pensamentos e estruturando afetos recíprocos e fortes. Ainda que senhores de si, éramos escravos arredios em observações, até cansar os olhos. Dispomos de nossos dons, qual armas potentes de conquistas, enfeitando ao ser amado com nosso brilho. Não por acaso nos confundimos, eternos vencedores e vencidos. Descobrimos, em meio às afinidades, os nossos interesses. Passei a ver a mulher em ti e passaste a ver o homem em mim. Nesta transição, de amigos amantes a amantes amigos, trouxemos a tona nossos desejos e, num momento intemporal, revelamo-nos. Surgiram os medos e as bases que regem os relacionamentos foram testadas. A soma das reações, ...
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