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Mostrando postagens de junho, 2024

TEMPESTADE DE PALAVRAS

  Cesar Costa Quando eu digo que o céu é cinza, Você diz que ele é azul. Quando eu clamo pela quietude, Você busca o turbilhão. Quando eu vejo fim, Você encontra começo. Quando eu abraço a noite, Você exalta o dia. Quando eu clamo por pausa, Você anseia movimento.   Em nossas noites de silêncio, Caminhamos em vidro quebrado, Palavras como mar de espinhos, Espalhando dor e mágoa, Desenhando cicatrizes no ar.   Nossos dias, noites sem estrelas, Nossas vozes, ecos distantes, O que éramos se perde na sombra, Nossos passos hesitantes, Desmoronando em direção ao vazio.   Esperamos por um amanhã, Onde o sol ou a chuva decidirão, Se nossos corações ainda dançam, Ou se o vento levará embora, O que resta de nós.   Mas talvez, entre as tempestades, Nosso amor encontre abrigo, E o arco-íris finalmente brilhe.

AMOR INABALÁVEL

por Cesar Costa   O amor é como uma corda bamba: Segurando-nos quando a força parece esgotada, Afligindo-nos quando temos insônia pelos problemas do outro. Mas chamamos isso de amor, não é mesmo?   Nunca nos rendemos, jamais renunciamos, Mesmo quando a distância parece absurda, Quando o caminho se estreita e a terra se abre. Almejamos o melhor para ambos, Deixando o individualismo de lado, Resistindo ao desejo de fugir quando tudo parece tranquilo.   Enfrentamos tempestades, enfraquecidos, Lutando para levar o outro a um porto seguro, Revelando forças além do imaginado, Suportando cargas que ultrapassam nossos limites.   Repetimos, incansavelmente, Ultrapassando os limites da tolerância, Lutando por ambos, mesmo quando o outro se sente vencido, Quando a colaboração falta e o desânimo se instala.   O verdadeiro amor transcende atrações passageiras, Vai além de parcerias sociais e carícias momentâneas. É conquistar s...

RELÓGIO DO DESTINO

 por Cesar Costa No crepúsculo das horas, meu relógio faz tic-tac, O ponteiro dança, traçando nosso destino com um fio prateado, E eu, mero espectador, contemplando o espetáculo, Alheio à percepção de que o tempo é uma ilusão ardilosa.   "O amor é como virar a ampulheta", costumava dizer minha avó, E eu, jovem e tolo, não entendia o que ela queria dizer, Até que te conheci, e o mundo se dobrou em versos, Nossos olhares, os ponteiros que marcavam o encontro.   As areias do tempo escorriam, grãos dourados de paixão, E eu, envolto pela fantasia, acreditava na eternidade do amor, Mas o relógio, ardiloso, sussurrava segredos ao vento, E o destino, em sua trama impiedosa, preparava a reviravolta.   Sob um céu estrelado, teu beijo era o verso final, A promessa de um sempre, o abraço que selava o pacto, Mas o relógio, traiçoeiro, acelerou suas batidas incessantes, E o tempo, sorrateiro qual ladrão, roubou-nos o amanhã.   Eis a rev...