sábado, 3 de fevereiro de 2018

O TEMPO DA NOSSA VIDA

por Cesar Costa

E é fácil compreender que estará morta
Visto que sei:
- O destino, não bem, nos causa.

Depois disto, amarga lembrança
Eis que ensinaste a muitos
Movido, então, pelo arrependimento
Chama, pois, se é que há alguém que te responda.
Muito fácil, ver estar triste
Sendo o tempo da nossa vida
Curto e cheio
Receei, por vezes, ser lançado fora.

Por demais sei, um degrau a mais
Uma escadaria sem fim
Nesta, e só na mesma, se aprende a mentir
Como a vida de uma carta marcada.
O posto ocupado dantes
Tornou-se o lado mais negro
E mais franco do medo.

Eis que se repete o vínculo
Como o guia dissera dantes:
- Era previsto o desatino.
Mas o fardo chega
Vem a morte...
Só há um fato:
- Dias negros estão na mente.

sábado, 27 de janeiro de 2018

SEM CONTROLE


por Cesar Costa

Tantas armadilhas engatilhadas
Todas armadas para me pegar
Mas mesmo assim não serei o mártir

Vontade de parar de beber ilusões e questionar
Pois não quero me embriagar com mentiras
Mas sim, saciar minha sede de verdade

Tantas palavras ofensivas sendo ditas
Sem a boca nada em defesa pronunciar;
Tantas decisões importantes, tomadas no singular
Com as consequências no plural sendo sofridas

Sentenças proferidas, sem direito a defesa
Sendo um réu desconhecedor de meus graves delitos
Vereditos dados, sem atenuantes sentimentos
Condenação que fere mesmo quem se julga imune

Estado de sofrimento na alma ferida
Sem medicamentos para cicatrizar trauma sofrido
Dor de esperar por iminente fim
Ou lutar para sobreviver a toda amargura

Consciente de cada pedra por mim atiçada
Cujos danos provocaram em telhados de vidro vizinhos
Causaram as pedras atiçadas de volta em meu frágil teto
Cujas avarias na vidraça agora me expõem ao mau tempo

Difícil não admitir, em meio ao meu padecimento:
Que a alma que me consolava, trouxe a arma que me feriu;
Que o ser a quem procurava, trouxe o sofrimento do qual fugia;
Que a pessoa que me fortalecia, trouxe o sentimento ao qual temia

Eterna busca do equilíbrio entre levantar ou cair:
Como me erguer, se a mão que me salvava do abismo
Foi a mesma mão que me empurrou no precipício;
Como me conter, se a voz que me dava o equilíbrio
Foi a mesma voz que me deixou sem controle

sábado, 20 de janeiro de 2018

A CURA

por Cesar Costa

De nada adianta pedir ajuda
Quando sequer consegue abotoar a própria calça
Quando a insegurança criou raízes como um câncer

De nada adianta pedir para extirpar um tumor
Quando seus domínios já infectam a própria alma
Quando criou vínculos com todo o corpo

Se aproximar e pedir para expelir
Vírus que seus anticorpos não conseguem se opor
Como posso ser uma vacina
Se não consegue vencer seu medo de injeção

Quer uma cura natural
Para infecção que suas defesas não podem vencer
Quer pequenos 
comprimidos
Para um mal que não existe medicação em pílulas

Anestesias não tiram machucados
Apenas suavizam dores
Curativos não cicatrizam feridas
Apenas mantem limpas

É preciso um tratamento profundo
Capaz de remediar a própria alma
Pois patologias intimas do ser
Necessitam de cirurgias delicadas

Lipoaspirar defeitos e manias do caráter
Cuidar de enfermidades da personalidade
Controlar os vícios que só fazem crescer
Restabelecer qualidades esquecidas

Nenhum “orgasmo temporário” pode trazer “prazer eterno”!

E quando enfim receber alta
Poderá dizer que conheceu A CURA

sábado, 13 de janeiro de 2018

ATRÁS DAS MONTANHAS


por Cesar Costa

Todos os dias descubro coisas que não sei
Tolos pequenos segredos de valores que não dei
Caminhos e lugares por onde ainda não passei
Cicatrizes de flores com espinho pelas quais sangrei

Atrás das montanhas nasce o sol
Por todos os vales onde vou
Sei que não fui o mais sensato
E eu mesmo fiz meu destino
Sei que mereci tudo que sobrevém
Mesmo aquilo que não me fez bem

De todas estas coisas, vem quem me transformo
E os erros que espero não repetir de novo
Moldam aquele a quem aos poucos me torno

Sol que arde e traz noites de calor
Embalam meus sonhos e esperanças do amor

Todos os dias descubro coisas que não sei...

sábado, 6 de janeiro de 2018

NOVAMENTE

por Cesar Costa

Juntos novamente, outra vez diríamos nós
Mas é assim, nós obedecemos
Dependemos deles para sobrevivermos
E sempre assim, dirá para mim você.
Sempre sou eu quem grito basta
E depois de uma nova ameaça
Novamente minha voz se cala.
Minha vida se resumiu nisto
Até outro dia, era meu o erro
Assim como era minha a voz.
Agora não tenho nada
Nem mesmo o nada que me foi proposto
Você foi sagaz ao fugir primeiro
Novamente tornou a sê-lo ao reconhecer a queda
Mas errou ao persistir no erro
Eu cheguei depois
Nem por isto foi menor minha queda
Mas minha dor chegou primeiro
Por isto, chorei por nós
Novamente é meu o erro
É como se tivesse uma segunda chance
Uma nova oportunidade para uma segunda queda.
Sempre o mesmo novamente
Sempre a mesma nova mente.
Tudo novo, nada muda
Tudo novo, eu sou o mesmo
Falta você mudar o jogo
Falta você mudar a mente.
Ao meu lado, só temos erros
 Na minha frente, poeira então
Não olho para trás
Tenho medo de te perder de novo
Peço ajuda, você não grita
- Será preciso que eu olhe então?
Se for, novamente ficaremos sós
O mesmo adeus... NOVAMENTE!

sábado, 30 de dezembro de 2017

PARTIDA


Por César Costa

Outro dia esqueci minhas poucas palavras na boca,
meu melhor pedaço de mim permaneceu calado
e meu silêncio observou a partida.
Minha vontade ficou em mim,
minha consciência fez triste minha estada
e meu ego quis dizer que não,
mas era mesmo minha a culpa do meu fracasso.

Outro dia dei a volta por cima
e acima de tudo não desisti
nem absorvi
a culpa pela farta derrota.
Em verdade, passei por cima de meus erros
e aprendi a brincar de não acertar.
Aceitei perder
e não ganhar tudo o que queria.
A vencer por superar meus reais desafios.

Outro dia passei em frente à porta certa,
na hora errada
e no dia exato.
Cantei a canção da alegria
e chorei a toada da saudade
e animei minha alma com a festa do coração partido.
Transformei minha dor em poesia
e meus medos em batucada.

Outro dia,
noutra hora qualquer,
num minuto presente,
em um instante intemporal
eu venci de vez minha timidez,
e gritei para quem quiser ouvir:
NUNCA MAIS
NINGUÉM A QUEM AMO
VOU DEIXAR PARTIR!

sábado, 23 de dezembro de 2017

GRACIOSAS LEMBRANÇAS


por Cesar Costa

Sentei-me e olhei em minha volta
Vislumbrei e viajei nas lembranças de um tempo distante
Com o aroma que me faz flutuar de volta ao passado
O doce sabor daquelas doze primaveras bailando em minha frente.
Não há como não sorrir
Ao ver em meio a tantas flores
A mais bela que corre e se agita...
... traz de volta suaves e graciosas lembranças.
Um estado de graça...
Um modo novo de sentir alegria...
Vem você:
GRACIOSA E BELA
Em sua terna maneira de transmitir euforia:
Penso em você
Aquela sua maneira única de sorrir
Uma formosa criança
Leve e suave pluma a caminhar
Anjo cujo sorriso ilumina a face...
Poderia vislumbrar seus sonhos
Acenar para seu futuro de glória
Utopia de voltar a flutuar no passado
Lacuna deixada de uma existência feliz
Alindada pela perfeição de suas formas graciosas.
Levantei-me agora, caminhei
Olhei para trás e vi
Sentado em meu lugar ficara
O menino que um dia eu fôra.
Encantando e observando a bela menina
Contente por renascer de um sonho...
... deixo-o com suaves e graciosas lembranças.