sábado, 21 de abril de 2018

NÁUFRAGO NA ILHA DA SOLIDÃO


por Cesar Costa

Derivando de águas profundas,
onde o mar elevou suas ondas 
tão alto que parecia beijar as estrelas
que no céu brilhavam 
e iluminavam a noite.  

Brancos grãos de areia da praia,
qual límpido tapete sob os pés, 
enaltecendo a vida salva do infortúnio
da nau que no fundo do oceano agora habita.  

Nas pedras,a espuma borbulhante festeja
inconsciente de tragédia horas antes ocorrida.  

Nas águas multicoloridas,
libertas alçam voo, as gaivotas, 
únicas companheiras neste mar errante.

Perdido e náufrago nesta ilha da solidão, 
com o vento a assanhar o cabelo, 
com a brisa que insiste em molhar o corpo
enquanto o socorro demora chegar

Lembranças das tormentas, 
onde de revolto o mar agora parece se acalmar, 
satisfeito com as oferendas das vidas
daqueles que se atreveram desafiar o mar
sem esperar a segurança de ventos mais propícios.

E se o medo me dominou, 
assustado pelos fortes ventos, 
devo aprender a refletir sobre o infortúnio,
guardar as lições das ondas do mar,
da brisa do vento e da imensidão do oceano. 

Que a cada dia seja marcado pela lembrança:
“Eis que a vida é bela e curta em demasia
para ficar lamentando 
as embarcações que passaram 
e depois naufragaram no oceano do meu coração.”

Antes pensar na felicidade de ser sobrevivente
e entusiasmar-se por poder acordar e rever a beleza do mar
respirar e rever o sol todos os dias.

Mesmo na ilha da solidão, a esperança me faz companhia!

sábado, 14 de abril de 2018

MORRER SÓ QUERO AMANHÃ


por Cesar Costa

Hoje não, morrer só quero amanhã
Sentida sensação, deixo na vida
Se não curar a tão grave ferida 
Nada vale, ter só emoção vã

Terá cura da busca, no divã 
Oriunda vivência dolorida
Sofrimento é marco de partida
Será da morte, toda dor irmã

Tormento que ninguém enfim percebe
Dissabor desta vida com desgosto
Nesta caça, opção nunca fim concebe

Razão não subsistir, querer composto
Cuja água da vida não mais bebe
Vontade de viver, tem um oposto



sábado, 7 de abril de 2018

RAZÃO DO MEU SORRISO


por Cesar Costa

Às vezes penso em você,
sem medir ou pensar se você pensa em mim,
sem tentar saber ou dizer coisas que não sei, apenas penso,
apenas invisto meu abstrato pensamento
e continuo meu movimento espiritual em direção a você.
Minha mente voa,
e neste vôo reencontro meu sorriso,
caio na armadilha de amar e não estar ao seu lado agora.
Na armadilha criada pelo meu coração.

Quanto pensei em você na primeira vez,
não sabia que seria a dona do meu sorriso,
não sabia que seria meu caminho,
não sabia que seria um vício sem cura,
não sabia que me tornaria mais um adepto desta loucura.
Talvez soubesse e tivesse medo de assumir que ia lhe amar,
talvez soubesse e tentasse fingir não sonhar lhe reencontrar,
talvez soubesse e não pudesse evitar cumprir meu destino.

Agora que conheço a luz do seu brilho,
fujo para uma sombra no abrigo,
mas meu coração revela meu esconderijo,
meus olhos buscam você e o seu brilho,
minha mente me traz de volta ao meu destino.
Minhas forças zeram quando estou contra você,
meu coração gela quando não está com você,
minha alma se deprime
e eu sonho acordado em fazer de você parte do meu ser.

Claro que agora eu sei,
sem seu sorriso meu dia não tem brilho,
minha canção não tem charme,
minha alegria não tem sal.
Você é meu paraíso,
o ritmo da minha melhor canção,
o tempero da minha felicidade.
Quero entregar meus pontos
e assumir que você é a razão do meu sorriso.

sábado, 31 de março de 2018

REESCREVENDO MEU DESTINO


por Cesar Costa

Tantas palavras nuas, expostas,
que me levaram
a revelar todos mais íntimos segredos.
Tanta coisa dita,
vinda de dentro do peito,
ecoando pelas ruas,
provocando sussurros e murmúrios.
Tantos risos
diante de minha face sem máscaras,
sem o escudo do esconderijo dos sentimentos.

Por dar demais,
muito de mim perdi,
muito de mim caiu
e bateu com a face
no chão frio e sujo da maledicência.
Vi-me exposto à vergonha
e ao riso,
exposto a minha própria tragédia.
A entrega ante ao nada,
a traição ante a queda,
o sarcasmo frente ao amor.

Em meio à dolorosa queda,
as investidas inseguras,
o medo oriundo do peito,
o receio de si em si mesmo.
À vontade de amar,
junto ao medo de dizer que amo!
À vontade de viver,
junto à insegurança de realizar os sonhos!

Mas não hei de ficar assim,
sentado, vendo a volta por cima de todos,
caído no chão, enquanto os outros levantam.
Não hei de ser um vencido
numa guerra onde não existem os vencedores,
o último quando ainda não está definido
quem serão os primeiros.
Vou voltar a sonhar, levantar
e me erguer,
concretizando meus sonhos
e fazendo o meu destino se reescrever!

sábado, 24 de março de 2018

DIREITO A SER FELIZ


por César Costa

Os sonhos nascem em minha alma,
tomam meu corpo,
minha mente e absorvem meus pensamentos.
Os sonhos florescem e crescem em mim,
como um dia após o outro
para desenvolver suas sementes.
Os sonhos são meus anseios
e meus anseios são minhas metas.

As quedas são minhas companheiras,
são minhas conselheiras,
são minhas guias.
Mas das quedas
guardo com carinho as minhas voltas por cima,
meu retorno,
meu recomeço.
Naufragar não quer dizer defeito,
quer dizer sou normal,
sou igual
e não sou melhor do que você.

Mas o desejo de ser feliz,
o desejo de acordar
e ainda estar vivendo um sonho,
o desejo de ter você aqui comigo
é um destaque que merece um beijo.
Meu desejo,
minha vontade,
meu começo meio e fim.
Não sei se estou em você,
mas tenho certeza de que você está em mim.

Mas nada depende de mim,
de mim tenho apenas à vontade de vencer,
de ter você,
de crescer.
A vontade que habita minha alma
e me traz ao nascente de um novo dia,
mesmo após uma noite fria.
Quero de volta o seu beijo
que me traz força,
esta força que tem nome,
esta força que me alimenta.

sábado, 17 de março de 2018

LIBERTAÇÃO


Por Cesar Costa

Bate na porta da alma, uma voz
aquela que o acorda e o transforma em si mesmo
e, por mais que reflita, está menos para mártir quanto para algoz.

Na solução química da liberdade a esmo
alguém se encontra, então se liberta;
enfim vai de encontro, tragando-o, seu sesmo.

Só que este alguém, tem na sorte, companheira incerta
no fluxo do seu destino, fluindo
destrói-se o vasto e vão; não, não quebra, conserta.

Como errante, inconsciente vai indo
seguindo verdadeiro e profundo amor
mas, suas palavras são perdidas por estar mentindo.

“Ser ou não ser?” Volta a indagar seu interlocutor
sua voz interior retorna e lhe questiona
vê-se caído ao chão; foi escravo, não foi senhor.

Sua boca, reticente, canta qual linda prima-dona
reconhecendo ser dos males, o menor
se bem não faz, seu entejo, emociona
em tom dramático, êmulo questionador, enriquece a alma, alimenta, traz ardor.

sábado, 10 de março de 2018

DESILUSÃO


por Cesar Costa

Não tenho nada a dizer
Só perdi a ilusão.
Disseram-me coisas puras
Cresci em meio a meias verdades
Não obedeci a critérios de vida
Não senti o que era preciso.
Pensei no amor como um sorriso
Uma caixa cheia de vida
Um mundo descoberto num sonho
Uma lágrima com o valor de uma vida.
Acordei, ilusão se perdera
Pensei também ter perdido o sorriso
- Mas ainda sei sorrir de mentira.
Vi verdades onde havia nada escrito
Vi mentiras onde não havia muitas palavras.
Minha idade é meu tempo de vida
Minha dor, solidão, mesma cara
Acreditei estar certo
Saber tirar a máscara.
Fiz planos em momentos sozinho
Fiz crença com vidas humanas.
Tudo enfim passara:
Passaram anos
Passaram planos
Passaram momentos.
Descobri, você não passou...
- Como pude esquecer que lhe amava?
Nos olhos, só havia loucura
Vidas se dissiparam
Mas o amor, este sim, existe e perdura.